EXCELÊNCIA EM REABILITAÇÃO VISUAL COM LENTES DE CONTATO ESPECIAIS

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

As novas Lentes de Contato Esclerais

Um breve histórico


Apesar do conceito de lentes esclerais ser antigo e nos reportar ao século 19, quando foram inicialmente desenvolvidas como as primeiras lentes de contato, foi no final do século 20 que elas começaram a ser feitas em materiais mais modernos e sofisticados, permitindo seu uso por um número de horas maior. A versão antiga não possibilitava uma boa oxigenação da córnea e por causar hipoxia corneana levava ao edema de córnea, limitando seu uso para algo em torno de 4 a 6 horas.
Com o advento dos novos materiais de altíssima oxigenação e com desenhos mais modernos, atualmente as lentes esclerais e semiesclerais proporcionam um número de horas de uso bem maior, possibilitando aos pacientes o uso por mais de 12 horas contínuas. Em alguns casos mesmo com estes materiais de alta oxigenação se as lentes não possibilitarem uma adequada troca lacrimal os mesmos problemas referentes à hipoxia corneana poderão ser observados.

As lentes Esclerais SB e Semiesclerais SSB

Neste sentido a Ultralentes desenvolveu de forma pioneira as lentes semiesclerais SSB e as lentes esclerais SB com uma tecnologia chamada Spline Wave Technology que possibilita a troca lacrimal necessária para que o fluído entre a lente e a córnea possa ser adequadamente renovado e assim garantir uma hidratação e oxigenação adequadas mantendo a saúde fisiológica corneana.  O lançamento oficial disponibilizou estas lentes aos oftalmologistas credenciados e certificados na Ultralentes foi em 30 de Julho de 2009. Naturalmente que o alto valor das lentes de teste e o aprendizado necessário para esta diferente técnica de adaptação faz com que estas lentes demorem até ampliar sua disponibilidade mas aos poucos ela estará disponível junto aos mais experientes e dedicados especialistas credenciados que devem certificar-se para estas adaptações.



Paciente com ceratocone pós-implante de anel intraestromal
adaptado com a lente Ultracone SSB. Cortesia IOSB



O conceito da adaptação das lentes esclerais basicamente é manter a lente totalmente afastada da córnea e do limbo sem qualquer toque, com uma zona chamada háptica que perifericamente repousa suavemente sobre a esclera. Ao colocar a lente o paciente deve preencher a lente com um fluido, uma solução salina sem preservativos (conservantes) para evitar a toxicidade presente nos conservantes o que à longo prazo pode gerar complicações para o paciente.

Indicações das Lentes Esclerais e Semiesclerais
As principais indicações para a adaptação das lentes esclerais são muitas, desde córneas irregulares como ceratocone, ceratocone pós-implante de anel, ceratoglobo, degeneração marginal pelúcida, pós-transplante de córnea, pós-cirurgias refrativas e pós-trauma. Além da utilização como meio de correção visual para casos de alta complexidade estas lentes possibilitam o uso terapêutico em uma série de patologias que afetam a superfície ocular.

Lente Ultraflat Semi-Scleral Bastos (SSB) adaptada em
caso de pós-transplante de córnea. Cortesia IOSB


Uma indicação terapêutica muito comum é a síndrome de olho seco, apesar de ainda não ser popular como se trata de uma tecnologia que é novidade para estas pessoas, a lente escleral possibilita ao paciente que sofre com olho seco livrar-se da necessidade de instilar colírios lubrificantes e ficar dependente dos mesmos. O fluido sem conservantes mantido entre a lente e a córnea garante a hidratação permanente da córnea resolvendo este problema com grande eficiência, segurança e conforto.

Pacientes com Síndrome de Sögren, Síndrome de Stevens Johnson e outras patologias que afetam a mucosa ocular podem beneficiar-se imensamente do uso destas lentes. Caso estes pacientes tenham alguma necessidade de correção visual as lentes poderão igualmente proporcionar a correção necessária para uma acuidade visual de alta qualidade.
Outra indicação importante destas lentes esclerais é a sua utilização em pacientes com intolerância absoluta a lentes de contato RGPs (rígidas), estes são beneficiados pelo extremo conforto que as lentes esclerais proporcionam. Além de uma hidratação constante da córnea estas lentes não tocam as áreas sensíveis da córnea e do limbo provendo total afastamento. Os pacientes com astigmatismos e ametropias elevadas podem obter uma ótima correção visual bem melhor do que a proporcionada pelas lentes gelatinosas.

Os pacientes que eram ou são usuários de lentes hidrofílicas gelatinosas ou descartáveis e que desenvolveram intolerância alérgica com o tempo (costumam apresentar olhos vermelhos e sensação de irritação ocular também são bons candidatos ás lentes esclerais. Os pacientes que são usuários de lentes rígidas e que sempre tiveram boa adaptação mas, que por uma menor produção de lágrimas estejam passando por dificuldades para usarem suas lentes também são ótimos candidatos ao uso das lentes semiesclerais e esclerais pois quando a lente é colocada nos olhos ela é preenchida em sua totalidade por um fluido sem conservantes que promove o bem-estar geral e a manutenção do equilíbrio fisiológico da córnea, proporcionando muito conforto e a ótima visão que somente as lentes rígidas proporcionam.


A experiência no IOSB

Nossa experiência no Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos (IOSB) começou em 2007 quando os primeiros pacientes foram adaptados com as novas lentes semiesclerais fabricadas por laboratórios americanos, desde então a Ultralentes passou a fazer protótipos para comparação e em 2008 as lentes esclerais e semiesclerais foram testadas nos pacientes já usuários das lentes importadas bem como novos pacientes foram analisados utilizando-se a técnica do teste duplo cego cruzado para uma comparação sem influência sobre os resultados apresentados. Para nossa surpresa, os resultados foram excelentes desde o início e pudemos compreender que nosso conhecimento e tecnologia em lentes de contato RGPs corneanas de alta qualidade e tecnologia, tiveram importante papel para que pudéssemos desenvolver os desenhos de lentes RGPs semiesclerais e logo em seguida lentes esclerais  com alta qualidade e tecnologia. Abaixo um vídeo comparativo de adaptação da lente RGP corneana Ultracone Extreme e da Ultracone SSB.



Vídeo comparativo entre a lente Ultracone Extreme e da Ultracone SSB
em um caso de ceratocone muito avançado. Cortesia IOSB.


Hoje o IOSB possui uma casuística de mais de cerca de 250 casos de adaptação destas lentes e o mais interessante é que sem complicações significativas. Os únicos casos que houve a necessidade de modificar a lente para uma melhor adaptação foram de um paciente apresentava sensação demasiada da lente sob a pálpebra superior, nós alteramos um pouco o desenho e afinamos a porção superior da lente de maneira que o problema foi resolvido. Outro paciente apresentou início de edema de córnea e bastou uma modificação no desenho da lente com a incorporação da tecnologia ‘Spline Wave Technology’ para que o problema fosse resolvido adequadamente.

Colocando e retirando lentes esclerais
A maior dificuldade encontrada por alguns pacientes é aprender a colocar suas lentes o que não é uma tarefa difícil levando-se em conta que é necessário em primeiro lugar um treinamento adequado do paciente, orientação e da parte do paciente a disposição e a determinação em aprender. Depois de dominada a técnica de inserir a lente que deve ser feita de baixo para cima, o paciente não têm mais dificuldades em colocar a lente e o faz de forma muito tranqüila. O paciente deve ser orientado a observar se após colocar cada lente se não há presença de bolha ou bolhas o que é contra-indicado, não pode haver bolha de ar entre a lente e o olho.

Para retirar a lente escleral o paciente utiliza uma ventosa própria para lentes de contato que produz um efeito de pressão negativa e gruda na lente. Para as lentes semiesclerais SSB de diâmetros entre 14.5 mm. e 17.5 mm. indicamos o uso das ventosas de lentes rígidas DMV Ultra que servem perfeitamente para retirar a lente, no caso de lentes de diâmetros maiores como as lentes esclerais de diâmetros acima de 18 mm nós recomendamos a utilização da Scleral Cup Ultra pois esta possui maior poder de sucção e fica mais firme na hora de retirar uma lente de maior tamanho. Nunca deve ser utilizado  o centro da lente como apoio para pressionar a ventosa e sim sempre uma área periférica geralmente próxima da pálpebra inferior, nesta posição a lente pode ser retirada delicadamente sem necessidade de forçar, o que pode ser desconfortável para o paciente.
A adaptação de lentes esclerais e semiesclerais feita no IOSB nos últimos quatro anos tem mostrado que a técnica proporciona excelentes resultados, pode-se dizer que a adaptação destas lentes tem indicação segura em qualquer caso desde que a córnea esteja saudável e a microscopia especular indique uma contagem de células endoteliais dentro da normalidade.


Controle sobre a adaptação

O controle inicial das adaptações deve ser feito desde o início do processo para que de tempos em tempos possa ser analisado o caso, especialmente se o equilíbrio fisiológico corneano está sendo mantido. O fato de termos estudado o assunto exaustivamente nos últimos nove anos (desde 2003) foi decisivo para que pudéssemos desenvolver desenhos de lentes esclerais e semiesclerais de última geração, são desenhos modernos com uma tecnologia própria e que possui diferenciais únicos, propriedade industrial da Ultralentes.

Após testar diferentes modelos e marcas de lentes é possível identificar os diferenciais tecnológicos obtidos tanto com as lentes Ultracone SB e Ultracone Thruster SSB como o modelo de lentes Ultraflat SB e Ultraflat SSB. A diferença entre a SSB e a SB está basicamente nos diâmetros, a Semi-Scleral Bastos (SSB) pode ter de 14.5 a 17.5 mm. e a Scleral Bastos pode ter diâmetros de 18 a 21.5 mm. Os materiais utilizados são de três fabricantes diferentes que produzem matéria-prima de lentes gás permeáveis de alta tecnologia com altíssima oxigenação.

O futuro da adaptação de lentes de contato
O futuro da adaptação de lentes de contato passará inevitavelmente pelas novas lentes semiesclerais e esclerais mas será necessário muito estudo e preparo por parte dos especialistas por se tratar de uma técnica completamente diferente da aplicada para as lentes RGPs corneanas. Embora curva-base e diâmetros possam ser trabalhados de maneira a obter a melhor adaptação será necessário compreender como obter uma boa adaptação escleral onde a zona háptica da lente deve repousar suavemente sobre a conjuntiva que recobre a esclera sem causar pressão sobre os vasos para-límbicos e ao mesmo tempo evitar o “seal-off” que pode gerar uma hipoxia tardia e complicações na adaptação.

Esta “nova” técnica de adaptação é extremamente promissora, entretanto prevejo que muitos especialistas terão casos de pacientes com algum tipo de complicação. Neste momento a orientação técnica, o suporte e a consultoria especializada são de fundamental importância para o sucesso.
As lentes esclerais e semiesclerais podem substituir em muitos casos a adaptação de lentes de contato gelatinosas e descartáveis pelo conforto que proporcionam ao paciente e especialmente por serem mais seguras e proporcionarem uma acuidade visual de melhor qualidade. Embora seu custo seja maior são lentes que bem cuidades podem ter uma vida útil de mais de três anos. Por este motivo é importante recomendar expressamente ao paciente que faça revisões freqüentes no início da adaptação e de ao menos uma vez a cada 12 meses no decorrer da adaptação bem sucedida. O controle representa uma parte importante do processo e deve visar unicamente a segurança e o bem estar do paciente.
Um 2012 melhor para todos, com saúde paz, prosperidade mas principalmente com boa visão, conforto e segurança.
Luciano Bastos

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eventos Oftalmológicos em 2011

Este ano de 2011 começou movimentado já em Fevereiro com o evento da SIMASP em São Paulo no Hotel Maksoud Plaza. O evento da SIMASP deste ano foi muito produtivo com várias palestras de alta qualidade e com grande valor científico. Foi uma grande alegria ter participado deste evento e encontrar os amigos de muito tempo, trocar idéias e aprender. No ano que vem espero levar toda nossa equipe de oftalmologistas do IOSB para prestigiar o evento.

Luciano Bastos, Dr. Ari de Souza Pena e Dra. Cleusa Coral Ghanem em visita a nova sede da J&J Medical Inovation Institute,
amplo e moderno local de treinamento para oftalmologistas com padrão de primeiro mundo, durante o evento da SIMASP.


O evento teve um alto conteúdo científico e abordou temas de grande interesse como as diferentes opções de tratamento do ceratocone desde os métodos cirúrgicos até a adaptação de lentes de contato especiais, assunto que foi tratado em profundidade pelos ilustres palestrantes. Recomendo que marquem em suas agendas já para Fevereiro de 2012, a cada ano este evento prima por uma qualidade cada vez maior e se tornou um evento de grande importância no calendário da oftalmologia nacional.


V Congresso Brasileiro da SOBLEC &
Global Meeting of Contact Lens, Cornea and Refractometry
Curitiba, 15, 16 e 17 de Abril

Em Maio deste ano tivemos a oportunidade de prestigiar o V Congresso Brasileiro da SOBLEC em Curitiba, junto ao Centro de Convenções Estação. O local muito bom para a realização de eventos de médio-grande porte, com uma infra-estrutura excelente e ligado ao shopping Estação.

Foi uma grande honra receber o convite da Dra. Tânia Schaeffer para participar como discutidor na sessão de 'New Treatment Options for Keratoconus'. Ainda mais que um dos palestrantes foi o orientador e amigo Dr. Perry Rosenthal, MD Phd da Boston Foundation for Sight e professor de oftalmologia da Harvard Medical School. Meu pai foi aluno do Dr. Rosenthal nos anos 70 e este tem sido um grande amigo nosso desde então.


Dr. Ari de Souza Pena (RJ) e Luciano Bastos (RS)

A SOBLEC está de parabéns pela qualidade científica do evento, da organização e isso refletiu na grande presença de especialistas de todo o Brasil e do exterior. Tenho um carinho muito especial pela SOBLEC pelo fato de praticamente ter visto ela ser criada e especialmente pelo fato de meu pai ter sido juntamente com ilustres amigos um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refractometria. Eu tive a oportunidade de contribuir tecnicamente em outros eventos da SOBLEC no passado e sempre estarei a disposição para colaborar. Espero que os esforços imprimidos nos últimos anos pela atual diretoria sejam apenas o começo de uma nova e próspera fase.


Luciano Bastos na discussão com o Dr. Perry Rosenthal (EUA).

A maior alegria contudo foi encontrar velhos amigos, como o Dr. Ari Pena, um grande e eterno amigo nosso. Ele e meu pai tratavam um ao outro como irmãos, e levo adiante essa tradição. Fico muito feliz de estarmos em contato, é sempre muito agradável e a lembrança da relação que ele e meu pai tinham me faz muito bem. O Dr. Jose Guilherme Pecego (RJ) Dr. Cesar Lipener (UNIFESP), Dr. Cléber Godinho (MG), Dr. Marcelo Vicente Sobrinho (SP), Dras. Sally Moreira e Luciane Moreira (PR), Dra. Cleusa Coral Ghanem (SC), Dr. Paulo Ricardo de Oliveira, Dra. Tânia Schaeffer Presidente da SOBLEC - PR), Dr. Telêmaco Boldrin, Dr. Renato Ambrósio (RJ), Dr. Paulo Schor (SP) entre outros.  

Também tive a oportunidade de encontrar os amigos do Hospital Banco de Olhos de Sorocaba, desde os especialistas do setor de lentes de contato, Dra. Leila Marciano Pinto e o Dr. Maurício Schirmer e a Dra. Luciane Barbosa de Souza do setor de córnea.


 Luciano Bastos (IOSB/Ultralentes), Dra. Leila Marciano Pinto
e Dr. Maurício Schirmer (HOSBOS) em Curitiba (Abril de 2011) 


É muita gente para lembrar, mas em especial os amigos Dr. Brunno Dantas e Dr. Eduardo Cukiermann do Rio de Janeiro. Esta nova geração tem uma responsabilidade muito grande para o futuro da adaptação de lentes de contato especiais e o excelente trabalho que ambos vem fazendo mostra claramente que eles estão no caminho certo.




Dr. Brunno Dantas (RJ) e Luciano Bastos (IOSB/Ultralentes)


 Dr. Eduardo Cukiermann e Luciano Bastos na confraternização do evento. 

Em Maio deste ano, posteriormente ao evento da SOBLEC ainda tive a oportunidade de colaborar cientificamente pela segunda vez no Curso Avançado de Lentes de Contato da PUC-Rio a convite do Dr. Brunno Dantas e Dr. Eduardo Cukiermnann. Eu agradeço o carinho, a alegria e a recepção com que fui recebido por todos os amigos nestes eventos, pelos alunos do curso da PUC-Rio. Para mim é uma grande satisfação colaborar e prestigiar os eventos científicos junto com nossa equipe do IOSB.

A adaptação de lentes de contato especiais é uma atividade que tem que ser exercida dentro do ambiente médico para a proteção dos pacientes. Todos os esforços realizados para aprimorar a adaptação e garantir a saúde dos pacientes passam inequivocadamente pelo estudo, pelo preparo e pela dedicação de cada especialista. O oftalmologista dedicado a subespecialidade de adaptação de lentes de contato especiais tem que estar sempre atualizado, explorar novos horizontes e sempre colocar a saúde do seu paciente em primeiro lugar.


XXXVI Congresso Brasileiro de Oftalmologia 
Porto Alegre - Setembro de 2011

Em Setembro de 2011 tivemos a oportunidade após muitos anos de sediar em Porto Alegre o evento mais importante da oftalmologia Brasileira, o Congresso Brasileiro do CBO. Foi uma grande satisfação receber e encontrar os amigos, grandes especialistas e novos talentos da oftalmologia brasileira. É sempre interessante saber que há uma nova geração muito bem preparada e mostrando serviço. Nesta oportunidade tive a honra de encontar velhos amigos meus e de meu pai, todos envolvidos com a contatologia médica e com a reabilitação visual com o uso de lentes de contato especiais. Abaixo uma homanagem e estes queridos amigos.

Da direita para esquerda: Dr. Paulo Ricardo de Oliveira (GO), Dr. Ari de Souza Pena (RJ), Dr. César Lipener (SP), Dra. Cleusa Coral Ghanem (SC), Dr. Orestes Miraglia Jr.(MG), Dr. Brunno Dantas (RJ), eu (RS) e o Dr. Jose Guilherme Pecego (RJ).

Em 2012 o evento do CBO será em São Paulo e pela importância do evento e pela representatividade do estado de São Paulo deverá ser um dos eventos maiores da história da oftalmologia no Brasil com todas as subespecialidades da oftalmologia sendo abordadas e com alto grau de atualização o que nos coloca em um patamar de igualdade com a oftalmologia dos países de primeiro mundo.


Diretor do Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos (IOSB)
Porto Alegre, RS 

sábado, 30 de julho de 2011

Lente Escleral SB - Homenagem ao Dr. Saul Bastos

Dia 30 de Julho de 2008 a Ultralentes de maneira inédita no Brasil, lançou oficialmente as novas lentes de contato asféricas semiesclerais  Semi-Scleral Bastos (SSB) e esclerais Scleral Bastos (SB). A lente SSB varia de diâmetros entre 14.0 mm a 16.0 mm. e as SB de 16.5 a 21.5 mm. Embora o conceito de lentes esclerais seja antigo quando eram feitas de material sem oxigenação (acrílico), existe um renascimento desta tecnologia de alguns anos para cá utilizando materiais de altíssima permeabilidade ao oxigênio, possibilitando a utilização destas lentes nas mais variadas patologias da córnea, para finalidade não somente de correção óptica de defeitos visuais corneanos mas como também para utilização terapêutica em uma série de patologias que afetam a superfície ocular. O potencial é grande e é possível que com o tempo novas utilizações surjam destas tecnologias.

Estamos por exemplo estudando o que chamamos de D.E.L. que seria Drug Elluting Lens que poderia servir como uma lente terapêutica que libera o medicamento nas dosagens corretas e junto com um fluido especial mantém a hidratação da superfície ocular, mantendo-a saudável. Outro estudo que estamos desenvolvendo na Ultralentes e no IOSB por enquanto teórico é a utilização destas lentes em pacientes com ceratoprótese e córnea artificial que assim como nos casos pós-transplante poderão exercer um papel importante na rejeição ou na garantia de lubrificação do enxerto e dos meios externos do olho.

Tudo isso somente foi possível porque em 2002/2003 meu pai me pediu que eu começasse a estudar as lentes esclerais. Ele me indicou alguns especialistas os quais foram professores dele nos EUA e na Inglaterra para que eu pudesse aprender com eles. Embora na época mais focado em aprimorar o desenho da lente Ultracone e da Ultraflat, me obriguei a iniciar estes estudos. Em Fevereiro de 2003 contatei um destes especialistas que sugeriu que eu lesse alguns trabalhos dele e que depois passasse três meses com ele nos EUA aprendendo sobre esta tecnologia das lentes esclerais.  De lá para cá a quantidade de informações foi aumentando ao ponto de eu ter escrito uma espécie de livro no qual relatei todo meu progresso e fiz uma espécie de resumo com as principais partes que me interessavam e este tem sido meu guia até hoje, além da extensa biblioteca sobre o tema que fui juntando com os livros do meu pai e outros que comprei.

Em Setembro de 2005, cerca de um ano após o falecimento do meu pai, Saul Bastos, a equipe de oftalmologistas do IOSB e eu compreendemos a visão que meu pai tinha sobre estas lentes e observamos os casos os quais estas lentes teriam importante papel para a reabilitação visual e tratamento terapêutico de algumas patologias da superfície ocular. Foi justamente neste mesmo mês que a Ultralentes passou a fabricar e desenvolver os primeiros protótipos destas lentes. A curva de aprendizado é longa e extremamente trabalhosa, mas os resultados são muito compensadores. No dia 30 de Julho de 2008 a Ultralentes oficialmente lançou as lentes aos oftalmologistas certificados, embora essa seja ainda uma tarefa um pouco complicada pois este tipo de adaptação requer do especialista um treinamento especial, é uma adaptação completamente diferente da que estão acostumados com as lentes de contato rígidas gás permeáveis (RGPs) corneanas. Logo, a certificação destes especialistas deve ser obrigatoriamente aos poucos na medida que pudermos organizar treinamentos ou cursos específicos. Embora o tema da adaptação de lentes esclerais e semiesclerais já venha sendo tratado em alguns congressos de oftalmologia, ainda não há uma aula sobre como de fato adaptar estas lentes. São poucos os especialistas que estão adaptando estas lentes, alguns estão utilizando lentes importadas e isso é normal, no IOSB nos primeiros anos também utilizamos lentes semiesclerais e esclerais importadas, mas para toda lente importada para testar em um paciente outra era feita na Ultralentes para comparação. Com a utilização de métodos científicos (teste duplo cego cruzado) pudemos observar que os resultados com as lentes Ultracone SSB e Ultraflat SSB estavam superando os demais testes e isso foi uma experiência significativa e teve forte impacto na linha de fabricação da Ultralentes. Hoje tem alguns especialistas que trabalham com a Ultralentes testando e adaptando estas lentes, esperamos que até o final do ano mais clínicas e hospitais possam contar com esta tecnologia em breve.

Eu quero dedicar esta nossa conquista a meu pai, Saul Bastos, sem ele nada do que fazemos seria possível.  Nada melhor do que essa dedicação ser no dia do aniversário dele. De todos os mentores que tive a oportunidade de conviver, meu pai foi um dos mais importantes, assim como Joseph W. Soper que foi um grande amigo e professor, eles irão estar sempre na minha lembrança e no meu coração. Escrevo agora olhando para o retrato dos dois na parede, e penso que bom que ainda tem alguns destes mentores vivos e com saúde. Meu pai me ensinou que estamos nessa vida para aprender, e ficar na zona de conforto não é uma coisa que me passa pela cabeça. Estamos sempre aprendendo, devo lembrar-me de que a humildade de querer aprender, testar, experimentar, trocar idéias com outros é o melhor caminho para manter-se no rumo e com isso ajudar a cada vez mais pessoas.

Obrigado pai, por tudo.

Luciano Bastos
30/07/2011

Obs. O nome das lentes são homenagens a meu pai (Saul Bastos), o SB de Scleral Bastos e SSB também.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cursos e Congressos em 2011

Este primeiro semestre de 2011 foi bastante movimentado para a equipe do IOSB com diversos eventos em diferentes sub-especialidades da oftalmologia. Em Fevereiro estive no evento da SIMASP no Maksoud que fazia alguns anos que não ia e o evento foi excelente.

Durante o mês de Abril deste ano tive a honra e a alegria de ser convidado pela SOBLEC para participar como discutidor do módulo News Treatment Options for Keratoconus durante o Global Meeting of Contact Lens, Cornea and Refractometry que ocorreu em conjunto com o congresso da Soblec em Curitiba. Este foi um evento bastante especial uma vez que neste módulo que participei estava um oftalmologista americano que foi professor de meu pai em Boston, MA., o Dr. Perry Rosenthal e que também tem sido um orientador para mim na tecnologia de lentes esclerais e semiesclerais. Juntamente com ele estava presente também outro palestrante Argentino, o óptico técnico especializado em lentes de contato e também fabricante de lentes Tomaz Pförtner que é outro grande nome na história da lente de contato na América do Sul. As discussões foram em torno do renascimento da adaptação de lentes esclerais e das novas lentes semiesclerais para casos onde é impossível obter uma boa adaptação com as lentes RGPs.

Em Maio tive o prazer de participar novamente como convidado no Curso Avançado de Lentes de Contato da PUC-Rio. Minha missão lá foi apresentar a tecnologia da Ultralentes disponível com exclusividade para oftalmologistas certificados pelo laboratório e de apresentar as novas alternativas em lentes especiais para o ceratocone, as lentes Ultracone SSB (Semi-Scleral Bastos) e a Ultracone THRUSTER que formam um verdadeiro arsenal para que o oftalmologista possa vencer qualquer obstáculo á adaptação de lentes em córneas irregulares, com cones descentrados inferiormente e córneas muito curvas.

Somente posso agradecer aos amigos que me fizeram os convites para estes eventos, aos demais ilustres palestrantes e em especial aos alunos do curso da PUC-Rio. Todos me receberam com grande carinho e foram muito atenciosos em minha estada em Curitiba e no Rio.

Um grande abraço a todos.

Luciano Bastos
Diretor & Instrutor Clínico de LC IOSB
Diretor & Consultor em LC RGPs Especiais Ultralentes

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ceratocone e Lentes SemiEsclerais

Adaptação de lentes de contato Semi Esclerais em ceratocone avançado no IOSB. A lente Ultracone SSB foi desenvolvida no IOSB para servir como uma alternativa para aqueles casos onde não é possível a adaptação de lentes RGPs especiais corneanas, um último recurso que tem mostrado-se extremamente eficaz na resolução dos mais complexos casos. Abaixo seguem dois vídeos de adaptações e testes realizados com as lentes SSB fabricadas pelo laboratório Ultralentes.

Ultracone SSB em caso avançado de ceratocone.


Testando Ultracone SSB em ceratocone e síndrome do olho seco.


As lentes Semi-Scleral Bastos (SSB) foram desenvolvidas com mais de 6 anos de pesquisa clínica e científica entre o Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos e o laboratório Ultralentes. Os excelentes resultados obtidos mostram que estas lentes tem uma excelente indicação para casos de correção óptica e/ou tratamento terapêutico em casos que as lentes de contato RGPs corneanas não funcionam ou não tem indicação.

"Começamos a estudar as lentes esclerais e semiesclerais em meados de 2002 a pedido de meu pai, Dr. Saul Bastos, e por isso a homenagem a ele no nome da lente. Em 2007 iniciaram as primeiras adaptações quando muito pouco se falava nestas lentes no mundo. A sigla SSB para Semi-Scleral Bastos ou SB para Scleral Bastos é uma analogia ao nome dele."

O IOSB como referência em reabilitação visual com o uso de lentes de contato especiais tinha necessidade desta solução. A dedicação e o estudo focado em soluções para adaptações complexas permitem ajudar a um contigente de pacientes que requerem soluções mais eficazes e seguras para poderem ter uma melhor qualidade de vida. O foco no paciente e na sensibilidade perante suas queixas e necessidades é a maior motivação para que se desenvolva tais alternativas. 

Agradeço a toda equipe de oftalmologistas do IOSB, aos colaboradores e ao time de profissionais da Ultralentes pelo seu esforço e dedicação para oferecer o máximo de sí para que o resultado obtido seja ainda maior. Tenho a convicção de que estamos, além de ajudando muitas pessoas e criando uma alternativa para várias outras futuramente, estamos honrando a memória do Dr. Saul Bastos e de Joseph Soper que foram a base de nosso conhecimento, entre outros.

Obrigado.

Luciano Bastos
Diretor & Instrutor de LC IOSB - http://www.iosb.com.br/
Diretor & Consultor em LC Especiais Ultralentes

sábado, 19 de fevereiro de 2011

34 SIMASP 2011 - Controvérsias e Consensos da Prática Oftalmológica

"With a little help from my friends"

O 34° SIMASP sediado no Maksoud Plaza Hotel nos dias 17, 18 e 19 de Fevereiro foi um grande sucesso e uma excelente oportunidade de reencontrar amigos oftalmologistas, representantes e professores de diferentes estados do Brasil e do exterior. O evento teve uma grande quantidade de congressistas inscritos comprovando como é importante este evento que abre o calendário oftalmológico no Brasil.

A qualidade das apresentações, o altíssimo nível dos palestrantes e o interesse dos participantes mostrou como a oftalmologia brasileira está em um nível avançado comparável a países de primeiro mundo e nada deve em termos de atualização. Os palestrantes nacionais e internacionais foram muito bem escolhidos e proporciconaram momentos de grande troca de informações e experiências, o Instituto da Visão e os organizadores estão de parabéns pela excelente estrutura e organização do evento.

Quero deixar expresso aqui minha gratidão pelo carinho pelo qual fui recebido no 34° SIMASP, pelos amigos da UNIFESP e da Soblec especialmente. Reencontrar os amigos que convivi desde pequeno com meu pai é sempre muito especial, é como se cada um de vocês representasse uma pouco dele e isso me deixa especialmente feliz.Eu não poderia deixar de fora aqueles amigos que mesmo mais recentes também representam muito para minha vida. Vocês são em grande parte, o motivo pelo qual me dedico integralmente e exclusivamente para e pela oftalmologia brasileira. Todos os estudos que conduzimos no IOSB são dedicados a oftalmologia nacional, em especial aos especialistas em córnea e em lentes de contato.

Este ano promete ser bem movimentado, a agenda está repleta de eventos de alta qualidade, começou bem.

Luciano Bastos
Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011 para você!

A equipe do IOSB deseja a todos os pacientes, amigos, colaboradores, colegas, oftalmologistas e prestadores de serviços á saúde um 2011 com muitas alegrias, bem-estar, harmonia, saúde e prosperidade.

Temos muitos projetos para este ano que está chegando e contamos com cada um de vocês para fazer parte deles, o que para nós é uma honra e satisfação. Esperamos que as pesquisas clínicas e trabalhos científicos que iniciamos possam colaborar para proporcionar a todos os pacientes e a ciência médica benefícios para uma saúde visual cada vez melhor.

Alguns fatos interessantes relativos a este ano de 2010 que passou:
  • O IOSB atendeu a mais de 4000 pacientes em 2010.
  • Mais de 75% eram casos de reablitação visual com lentes de contato (+/- 3000 pacientes).
  • Dos pacientes de lentes de contato cerca de 90% foram de lentes RGPs (+/- 2700 pacientes)
  • Destes 2700 pacientes, cerca de 80% foram casos de ceratocone, incluindo ectasia pós-Lasik (+/- 2150 pacientes)
  • Do total de 2700 pacientes de lentes rígidas, 34 pacientes foram adaptados com lentes RGPs esclerais ou semi-esclerais.
  • Dos 3000 pacientes de lentes de contato, cerca de 11% vieram de fora do estado. (+/-330 pacientes)
  • Tivemos pacientes de vários estados do Brasil, como SC, PR, SP, RJ, MG, DF, GO, ES, SE, CE, PE, BA, AM, RN, PB, MT, MS, AC.  
  • Aproximadamente 90% dos pacientes que vieram de fora do estado foram casos de ceratocone ou ectasia pós-LASIK, o restante foram pós-transplante de córnea e olho seco (lentes esclerais).
  • O percentual de sucesso nas adaptações de lentes de contato permaneceu estável como em outros anos, em torno de 99,2% dos casos, levando-se em consideração os pacientes que retornaram e já fizeram suas revisões de rotina.
Os números estão colocados sempre de forma "mais ou menos" para deixar uma margem de erro, mas basicamente reflete como foi nosso ano e mostra algumas coisas interessantes. Uma clínica dedicada a reabilitação visual com lentes de contato que estiver bem preparada para isso terá certamente um movimento maior nessa área.

Outro fator que nos chamou a atenção esse ano foi um maior número de pacientes com diagnóstico de ceratocone, mas com exame mais atento e diagnóstico diferencial pudemos observar que eram pacientes com astigmatismos elevados que apresentavam elevações anteriores nos exames de topografia, mas sem qualquer outro sinal que indicasse a presença da patologia. Pacientes com exames identicos, alguns usuários de óculos e sem precisar trocar a prescrição por mais de dois anos entre outras características. Seria um bom assunto a ser tratado nas residências e nos congressos de oftalmologia no Brasil.

A tomografia topográfica tem mostrado ser um exame de muito maior especificidade e sensibilidade do que a topografia simples, mesmo numa clínica de lentes de contato mas especialmente na clínica de lentes de contato especiais para córneas irregulares. Os exames do Orbscan e do Pentacam foram os mais utilizados depois da topografia comum especialmente nos casos de maior complexidade ou de avaliação para cirurgia. Para a paquimetria corneana (espessura da córnea) a paquimetria ultrassônica é definitivamente o padrão ouro para obter medições precisas, embora a paquimetria tanto do Orbscan como do Pentacam forneçam um mapa bem mais completo da paquimetria de toda a córnea, mesmo que com uma margem de erro já abordada na literatura médica e científica.

A ótima relação que mantemos com a oftalmologia no estado do RS e no Brasil é gratificante, tem sido maravilhoso encontrar os amigos de meu pai e excelentes especialistas em congressos e simpósios de oftalmologia. Uma questão interessante que descobri em relação aos novos tratamentos do ceratocone como implante de anel e crosslinking foi a de que os especialistas em córnea e adaptação de lentes de contato em grande parte não são os mesmos cirurgiões que operam. Tive a oportunidade de assitir esse ano no Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO2010) a palestras e debates dos cirurgiões, é interessante a diferente abordagem que os mesmos fazem da córnea em especial no ceratocone. Pude fazer novas e boas amizades e aprendi muito com eles, aliás foi uma das áreas que mais me chamou atenção esse ano e a qual venho estudando, a resistência biomecânica da córnea, ligações covalentes das fibras de colágeno, entre outros fatores. Percebi que há a necessidade de uma maior interação entre os especialistas cirurgiões e os especialistas em adaptação de lentes especiais no ceratocone, ambos tem muito a aprender um com o outro especialmente por não representar perda nenhuma para ambos e por poder ser de grande valia para os pacientes.

Era esse "pequeno" recado que quis deixar aqui, talvez no rítmo da "retrospectiva" de 2010. Espero que o ano de 2011 seja excelente para todos, com mais saúde, paz e prosperidade.

Luciano Bastos
Diretor & Instrutor Clínico de LC IOSB
Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos - http://www.iosb.com.br/